A habitação construída com a finalidade do arrendamento poderá ser a grande aposta do mercado imobiliário para os próximos anos.
Multifamily, PRS (Private Rental Scheme), ou BTR (Built to rent) são sinónimos utilizados para designar uma habitação construída propositadamente para colocar no mercado de arrendamento. Este segmento do mercado imobiliário tem vingado em alguns países, originando um lucro significativo. Poderá portanto ser uma boa aposta também no nosso País, numa altura em que os millennials, classes média e média baixa, profissionais deslocados e estudantes procuram soluções que não passem pela compra de casa.
Um estudo recente da JLL, designado Multifamily – A market on the rise, destaca Portugal como um dos países da Europa com maior potencial para a expansão deste segmento, podendo configurar uma das grandes apostas de investidores nos próximos anos. Estima-se qu,e já a partir de 2023, sejam colocados no mercado mais 3.000 fogos para arrendamento, que permitirá atenuar o problema de oferta de que o nosso país carece.
Em alta já há alguns anos nos EUA, ergue-se agora como um dos mercados mais consolidados da Europa, com o interesse inclusive dos principais investidores institucionais que vêem neste conceito uma oportunidade de criar valor a longo prazo, obtendo um rendimento estável. Só no ano passado, este segmento movimentou 52,96 mil milhões de euros na Europa. Já em 2020 foram transaccionados cerca de 31 mil milhões, considerando apenas os primeiros seis meses.
Multifamily: para quem e como?
As unidades Multifamily são desenhadas para serem flexíveis e dar resposta a diferentes necessidades. No fundo, estas unidades correspondem a projectos de habitação em larga escala, estandardizados, sendo exclusivamente destinados ao arrendamento e com uma gestão profissionalizada, afim de assegurar a protecção e valor dos fogos a longo prazo.
No mercado português denota-se um aumento por este tipo de soluções, em especial por parte das gerações mais novas e de famílias de classe média e média baixa. Tal ocorre, tanto pela dificuldade em obter financiamento junto da banca para a compra de casa, mas também pela flexibilidade de se mudarem quando conveniente. De forma semelhante, os denominados expatriados, profissionais altamente qualificados que procuram o nosso país para viver e trabalhar, procuram habitações que lhes ofereçam alguma flexibilidade. Estes factores sugerem que Portugal representam uma oportunidade para o desenvolvimento deste produto, destacando-se Lisboa e Porto e as respectivas áreas metropolitanas, que concentram mais habitantes.
Em Lisboa estão já previstos alguns projectos a desenvolver nos próximos anos. Az zonas da Alta de Lisboa e Ajuda, assim como Miraflores, Carnaxide e Algés apresentam o maior potencial para este tipo de habitação. Mas este mercado poderá também encontrar oportunidades atractivas nos concelhos da margem sul, como Almada e Barreiro.
Atendendo ao estudo elaborado pela consultora JLL, a oferta de fogos para arrendamento em Lisboa e Porto é reduzida, “bastante pulverizada” e de “baixa qualidade”, uma vez que grande parte das habitações tem mais de 40 anos, portanto pouca adequada ao nível de procura, tanto em relação às áreas e divisão dos imóveis, como em relação ao valor das rendas.
Como perspectiva de invetimento para este segmento Multifamily «o mercado nacional beneficia ainda da crescente liquidez existente na Europa e da tendência de maior foco dos investidores neste tipo de activos, visto como uma classe de elevada resiliência, especialmente em tempos de recessão económica, dada a sua versatilidade na adaptação a outros usos e na capacidade de gerar retornos sustentados a longo prazo» (JLL). Alguns projectos estão já em desenvolvimento e Fernando Ferreira, Head of capital Markets da JLL refere que «vamos ter muitas novidades neste sector. Diria que, nos próximos cinco anos, podemos ver o investimento em Multifamily no nosso país disparar para um peso de 25% do total investido no mercado. Além disso, num contexto em que existem já mercados bastante maduros na Europa, em que a yield média se situa entre 2,5 e 3,5/, Portugal tem capacidade de oferecer um retorno de 4,5%. Isto rivaliza com o retorno dos escritórios e do comércio de rua».
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